Cenário de e-sport feminino avança, com as mais recentes campeãs do campeonato de Valorant. E a união entre as jogadoras foi o mais importante, no jogo da final. Confira!
Por Valentina Camargo e Gui Tsubota, Geek Rock Engage e Geek Rock – São Paulo
Há pouco mais de dois anos do seu lançamento, em 2 de junho de 2020, Valorant já conta com um número imenso de mulheres ativas no jogo. Essa característica é incomum, quando comparamos o First Person Shoot (FPS), da Riot Games, com outros títulos do gênero. Essas duas questões, a quantidade de mulheres jogando, e em tão pouco tempo, é inusitado no cenário gamer.
Identificamos algumas ações da desenvolvedora, que foram importantes para chegarmos a esse cenário atual. Veja a seguir.
Os personagens atraem mais jogadoras, além do ecossistema ser favorável a participação feminina:
Team Liquid feminino. Foto: Geek Rock
Em entrevista concedida a um grande portal internacional, em fevereiro deste ano, Vera Wienken, Gerente de Branding da Riot Games, comentou que os personagens do Valorant ajudam o jogo a ser mais acessível, por não seguirem exatamente o estereotipo do gênero.
Outra questão social importante, é em relação ao feedback aos jogadores: a Riot Games publicou em fevereiro de 2021, as atualizações na detecção de comportamento e penalidades em Valorant, trazendo melhorias no ecossistema das partidas.
No relatório, as integrantes da Equipe Social e de Dinâmica de Jogadores em Valorant , a produtora Sara “Riot necrotix”, e a estrategista Lea “Riot aeneia”, comentam que com o feedback do público, diversas ações foram tomadas, dentre elas a melhoria na detecção de AFKs (ausentes), além do lançamento de filtro de texto para diversos idiomas. A partir disso, violência, ameaças, ou qualquer tipo de assédio são categorizados como “tolerância zero” e pode fazer o agressor perder a conta.
Cenário competitivo incentivado desde cedo:
Campeonato Game Changers Valorant, sede da Riot. Foto: Geek Rock.
Semanas após o lançamento do jogo, os torneios independentes para mulheres começaram a surgir ao redor do mundo. Em julho de 2020, o campeonato independente Rivals Women’s Cup recebeu quatro times para disputarem o título de melhor time feminino de Valorant. No ano seguinte, em maio de 2021, o twitter oficial do Valorant Brasil, revelou que esse mesmo campeonato seria apoiado pela RIOT, com premiação total de R$ 10 mil.
Programa de incentivo a novas jogadoras:
Menos de um ano após o lançamento do jogo, a Riot Anunciou o Valorant Game Changers, um programa que pretendia criar mais espaço para as mulheres nos E-sports de Valorant. A expectativa é transformar o Valorant Champions Tour mais inclusivo, no mundo inteiro.
A VCT Game Changers Series é de alto nível e começou com um evento na América do Norte, em 2021. A VCT Game Changers Academy cria torneios mensais para categorias de base e semiprofissional. Essas foram as duas iniciativas da Riot. No Brasil, tivemos duas versões do VCT Game Changers Series em 2021, que contaram com qualificatórias abertas, desde o início do ano. O programa apoiou dez campeonatos diferentes, totalizando 20 competições dedicadas as mulheres.
VCT 2022: Game Changers Brazil – Series 1
De 2 a 9 de julho de 2022, oito times femininos de Valorant disputaram no estúdio da Riot, em São Paulo, o VCT 2022: Game Changers Brazil Series 1, que contou com a premiação total de 100 mil reais, sendo 35 mil para o grupo vencedor.
A final do campeonato, no dia 9 de julho, ficou marcada pela vitória invicta da Team Liquid pra cima da Gamelanders, fechando um placar de três pontos contra zero, no formato MD5.
Em coletiva realizada após os jogos da final, o Geek Rock teve a oportunidade de conversar com as campeãs, Natália “daiki” Vilela (duas vezes vencedora no Prêmio eSports Brasil), Ana “naxy” Beatriz, Paola “drn” Caroline, Paula “bstrdd” Naguil e Natália “nat1” Meneses. Estiveram presentes na coletiva, Gui Tsubota, editor chefe e apresentador, e a Valentina Camargo, repórter e apresentadora.
Team Liquid campeã, coletiva de imprensa. Foto: Geek Rock.
Geek Rock –No dia anterior do jogo, o que vocês fizeram para se prepararem?
“Acho que foi um momento importante, diferente de todos os outros, acho que é importante dizer que mesmo no dia anterior, a gente acabou treinando, então… treinamos sim, o dia inteiro. No final do jogo a gente teve uma conversa muito importante em time, juntamos a psicóloga e tivemos uma conversa muito importante que todas choraram… como a “daiki”(Natália “daiki” Vilela) disse , a gente ainda não chegou onde a gente quer (referindo-se ao desejo de chegar no campeonato misto). […] A gente tem um ano e meio de time, mas não foi o suficiente, a gente ainda tá se formando como time e temos muitas coisas para aprender umas com as outras e com todos esses campeonatos. Então, acho que o dia anterior foi importante, tivemos uma conversa importante e acho que isso fez chegar mais forte e mais unidas hoje.”– contou a Ana Beatriz, conhecida pela comunidade como “naxy”.
Vale lembrar que, esse elenco incrível de meninas engajadas, são todas ex-jogadoras do Gamelanders Purple, e atualmente são treinadas pelo André “Palestra” Gomes, que no passado, exerceu a mesma função no atual time perdedor.
Todo esse respaldo, que é formado pelo combo de psicólogo e treinamento puxado das garotas, junto com a necessidade percebida pela Riot em incluir mulheres neste cenário competitivo, colabora com a formação adequada desta geração de pró players.
É nítido que entre elas existe união, trabalho duro e uma competitividade incentivada de maneira certa (uma vez que competitividade não é sinônimo de rivalidade. Tudo isso colabora pra que muitas garotas fiquem horas jogando Valorant. Algumas para se divertirem, e outras que perceberam o potencial de participarem do mercado de e-Sports, com algum talento atribuído.
O elenco da Team Liquid conta com Natália “daiki” Vilela (duas vezes vencedora no Prêmio eSports Brasil), Ana “naxy” Beatriz, Paola “drn” Caroline, Paula “bstrdd” Naguil e Natália “nat1” Meneses, todas ex-Gamelanders Purple. O treinador principal é André “Palestra” Gomes, que também exercia o mesmo cargo no time anterior.
Team Liquid Campeã. Foto: Geek Rock
De acordo com o portal Valorant Zone, Paula “bstrdd” Naguil foi eleita a Most Valuable Player (MVP) do Game Changers. Esta será a terceira medalha de MVP da chilena, que segue avassaladora. Além disso, ela conta com o título de melhor jogadora do Brasil em 2021. A duelista da TL teve um desempenho impressionante ao longo de todo o Game Changers, com as personagens Jett e Raze.