Com curadoria de Hélio Pitanga e Arthur Chen, edição que celebra o Ano Cultural Brasil China 2026 exibirá 14 filmes no Cinesystem Belas Artes, em Botafogo, com entrada gratuita, entre eles o inédito “Operação Sombra”, estrelado por Jackie Chan; a atriz Lucélia Santos participará da abertura oficial e a mostra ainda terá circuito educativo em escolas e centros culturais
ão mais de 17 mil quilômetros entre Rio de Janeiro e Pequim. Mas, numa sala de cinema, essa distância dura só até as luzes se apagarem. É essa travessia que propõe a V Mostra de Cinema China Brasil, quechega ao Rio de Janeiro de 3 a 25 de agosto com 14 filmes, sendo 7 títulos chineses inéditos no Brasil, incluindo o sucesso de bilheteria “Operação Sombra”, estrelado por Jackie Chan; além de 7 produções nacionais. Outros 5 filmes chineses inéditos também compõem o circuito educativo.
A programação inclui ainda premiação, bate-papo com profissionais do mercado audiovisual chinês e um circuito de atividades que passa por escolas da rede pública, pela Arena Carioca Fernando Torres, em Madureira, pela Biblioteca Parque da Rocinha e pelo Instituto Zeca Pagodinho, em Xerém. Os filmes de circuito serão exibidos de 3 a 5 de agosto, com entrada franca, no Cinesystem Belas Artes, em Botafogo. As demais atividades acontecem ao longo do mês e também são gratuitas e abertas ao público.
A V Mostra de Cinema China Brasil tem curadoria de Hélio Pitanga (filmes nacionais) e Arthur Chen (filmes chineses), CEO da Cultural Bridge, empresa que realiza o evento. A edição de 2026 ganha um significado especial: acontecerá no ano em que os dois países celebram o Ano Cultural Brasil-China, marco da aproximação entre as duas nações também no campo simbólico e artístico.
“Da primeira edição até hoje, a aceitação do público carioca pelo cinema chinês deu um salto de qualidade. No passado, a percepção dos brasileiros sobre a China se limitava, em grande parte, aos filmes de kung fu ou a símbolos históricos distantes. Hoje, impulsionado pelo sucesso de obras como ‘O Problema dos Três Corpos’, o público do Rio passou a conhecer verdadeiramente o cotidiano e o mundo espiritual da China contemporânea, e também consegue sentir o humor e o calor humano das famílias chinesas“, afirma Arthur Chen, idealizador e curador da mostra.
Sete estreias chinesas em telas cariocas
O ineditismo é a marca da seleção assinada por Arthur Chen. Nascido na província de Zhejiang e naturalizado brasileiro, o curador construiu a programação chinesa sobre três pilares: autenticidade, diversidade e empatia, com o objetivo declarado de quebrar estereótipos e oferecer uma visão tridimensional da China de hoje.
O resultado é um recorte que o público brasileiro nunca viu: da superprodução de ação “Operação Sombra”, sucesso de bilheteria estrelado por Jackie Chan, à delicadeza do drama histórico “Yuan Longping: Pai do Arroz”, sobre o agrônomo que revolucionou o cultivo de arroz e ajudou a alimentar o mundo; de animações voltadas ao público jovem, como “Master Zhong” e “Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo”, a documentários que revelam a China do trabalho e da tecnologia, como “Iluminando Ali: O Diário de um Engenheiro” e “Trabalhadores da Rede Elétrica do Cinturão e Rota”, passando pelo diálogo entre civilizações milenares de “Liangzhu”.
“Na seleção, buscamos deliberadamente quebrar estereótipos, oferecendo uma visão tridimensional e vibrante da China. A programação inclui tanto grandes narrativas que mostram a modernização chinesa e o avanço tecnológico quanto retratos culturais focados na herança intangível. Há também obras delicadas que exploram emoções individuais e animações que conquistam os jovens. Queremos que o público brasileiro não veja apenas a ‘grandeza’ da China, mas também sinta o seu lado ‘pequeno’; não apenas aprecie a estética oriental, mas compreenda as alegrias e tristezas dos chineses contemporâneos“, explica o curador.
Do lado brasileiro, a seleção de Hélio Pitanga aposta em filmes que traduzem o país pela música, pela memória e pelo afeto: a cinebiografia “Mamonas Assassinas: O Filme”, os documentários musicais “Corações a Mil” e “Belchior – Apenas um Coração Selvagem”, o drama “Nosso Lar 2: Os Mensageiros”, o retrato do sociólogo Herbert de Souza em “Betinho – A Esperança Equilibrista”, a animação “Tromba Trem: O Filme” e o documentário “Vai Pra China, Eduardo”, ponte direta entre os dois países.
Chen vê nesta combinação mais do que uma coincidência de catálogo: “Embora China e Brasil estejam separados por milhares de quilômetros, geográfica e geopoliticamente, compartilhamos uma ressonância surpreendente em nossa essência cultural. Ambos os países possuem territórios vastos e passam por rápidas transformações urbanas e sociais. O cinema brasileiro frequentemente transmite um profundo amor pela terra natal e uma forte preocupação com o destino das pessoas comuns; da mesma forma, o cinema chinês é excelente em retratar as alegrias e tristezas de pessoas simples em meio a grandes mudanças de época“.
Prêmio Arara Azul homenageia as produções nacionais e chinesas
No dia 5 de agosto (quarta-feira), às 18h, o Palácio Tiradentes, no Centro, receberá a abertura oficial do evento, reunindo profissionais brasileiros e chineses da indústria do audiovisual. O evento, somente para convidados, inclui a cerimônia do Prêmio Arara Azul, que celebra as 14 produções participantes da Mostra, com homenagem especial presidida pela atriz Lucélia Santos.
Cinema e mandarim na sala de aula
Outro eixo central da Mostra é o circuito educativo. Nas sessões dos dias 3, 4 e 5 de agosto, no Cinesystem Belas Artes, parte do público virá de escolas da rede pública que já oferecem ensino de mandarim às crianças. A exibição dos filmes chineses chega como extensão natural desse aprendizado, fortalecendo a integração entre língua, cultura e imaginário.
Já nos dias 6 e 7 de agosto, a Mostra entra literalmente nas escolas, com sessões nos auditórios do CIEP Samuel Wainer e da Escola Municipal Orsina da Fonseca, ambos na Tijuca. No CIEP, os alunos assistem às animações “Muqiling” (10h) e “Yeluoli” (14h); na Orsina da Fonseca, a programação reúne o documentário “Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações” (10h30), a aventura “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang” (11h30) e as animações “Tromba Trem: O Filme” (13h00).
De 12 a 14 de agosto, as atividades e exibições seguem para a Arena Carioca Fernando Torres, em Madureira, com sessões para estudantes e público geral e performance de arte chinesa. A programação começa no dia 12 com “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang” (9h) e “Tromba Trem: O Filme” (11h); segue no dia 13 com “Master Zhong” (9h) e “Corações a Mil” (11h); e encerra no dia 14 com “Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações” (10h), “Eu Sou O Que Sou” (11h) e “Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo” (14h).
Ocupação na Rocinha com exibições abertas
Nos dias 20 e 21 de agosto, a Mostra ocupa o C4 – Biblioteca Parque da Rocinha, com programação voltada ao público da comunidade e geral, incluindo apresentação do projeto e performance de arte chinesa.
No dia 20, após a abertura (10h), serão exibidos “Eu Sou O Que Sou” (11h) e “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang” (14h); no dia 21, a programação reúne “Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações” (10h), a animação inédita “Master Zhong” (11h) e “Tromba Trem: O Filme” (14h).
Bate-papo com chineses e brasileiros do mercado audiovisual na ESPM
No dia 21 de agosto (sexta-feira), às 10h, a ESPM – Villa Aymoré, na Glória, sediará um o debate “Brasil & China: Novas Fronteiras da Coprodução e Distribuição Audiovisual”, com players do mercado audiovisual chinês, fórum de intercâmbio e fomento que reúne palestrantes chineses e brasileiros, universitários e convidados da indústria. O painel discutirá as oportunidades reais de coprodução internacional, o uso inovador da inteligência artificial na criação cinematográfica e as bem-sucedidas políticas de democratização e exibição de cinema de utilidade pública em ambos os países.
Participam da mesa os especialistas chineses Feng Zongze e Jia Liyuan (do Centro de Administração de Conteúdo de Cinema Digital da China) ao lado dos cineastas e produtores brasileiros João Amorim (Amorim Filmes) e Ricardo Romin (True Motion).
Haverá tradução simultânea e transmissão ao vivo. Vagas limitadas para a participação presencial.
Cinema no Instituto Zeca Pagodinho
Já no dia 25 de agosto, terça-feira, a Mostra vai até Xerém, no Instituto Zeca Pagodinho, levando um dia inteiro de atividades com performance de arte chinesa e sessões gratuitas. A programação abre às 10h30. Em seguida, serão exibidos: “Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo” (11h), “Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações” (14h), “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang” (15h) e “A História Dela” (16h30).
Dirigido por Bento Marzo e Eduardo Ades, o longa-metragem resgata arquivos pessoais inéditos e revela a trajetória de um dos maiores atores do país em busca de liberdade artística e autenticidade
O documentário “Cansei de Ser Galã”, codirigido por Bento Marzo e Eduardo Ades (diretor de “Torquato Neto: Todas as Horas do Fim”), integra a Mostra Brasil da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e fará a sua primeira sessão nesta quinta-feira, 22 de outubro, às 19h15, no Espaço Petrobrás de Cinema — Sala 2 (Rua Augusta, 1475 — Consolação), que contará com as presenças dos diretores e representantes da equipe. A reprise será no dia 29 de outubro, às 16h30, no Cine Tutu (Rua Girassol, 555 — Vila Madalena). Confira aqui uma cena inédita deste documentário que mergulha na intimidade e na trajetória profissional de Claudio Marzo, um dos nomes mais emblemáticos da televisão e do cinema brasileiros, investigando a tensão entre o rótulo de galã conquistado na juventude e seu desejo por uma vida contestadora e autêntica.
O ponto de partida do projeto nasceu de uma descoberta afetiva, como relata o codiretor Bento Marzo, filho do ator: “Um ano após a morte do meu pai, encontrei uma caixa cheia de rolos de super 8 filmados por ele nos anos 1970. Algum tempo depois consegui projetar e digitalizar esse material. Ver essas imagens me revelou, em movimentos e cores, uma parte de sua vida desconhecida para mim. Naquele momento entendi que precisava descobrir quem ele havia sido nesse período e que havia ali uma história a ser contada.“
A partir de um acervo pessoal inédito reunido pela família e da narração em primeira pessoa conduzida pelo ator Sergio Guizé, que narra entrevistas concedidas para a mídia imprensa e memórias em primeira pessoa de Claudio Marzo, o filme reconstrói a figura do artista inconformado. Entre memórias familiares, registros de bastidores e passagens marcantes, como o período de desaceleração e busca por liberdade em Arembepe (BA), a obra explora como Marzo recusou os enquadramentos da fama para construir uma identidade artística própria.
Para o codiretor Eduardo Ades, o projeto equilibra o afeto íntimo com um panorama geracional mais amplo: “Eu fiquei super feliz e honrado quando o Bento me convidou para fazer esse filme com ele. Porque, por um lado, é um filme muito pessoal, sobre a história do pai dele. Foi de uma confiança muito grande. Mas, por outro lado, quando ele me faz esse convite, eu entendi que ele também queria que não fosse só um filme pessoal. Foi isso que me interessou no projeto. E acho que a gente conseguiu chegar nessa justa medida: partindo de um ponto de vista particular, de um filho querendo conhecer mais o pai, contar uma história de vida incrível, muito reveladora de uma certa história do país, daquela sua geração.“
O documentário reúne um vasto painel de depoimentos de amigos, familiares e grandes parceiros de cena e bastidores, como Alexandra Marzo, Almir Sater, Betty Faria, Boni, Daniel Filho, Georgiana de Moraes, Jayme Monjardim, Regina Duarte, Stepan Nercessian, Tonico Pereira e Walter Lima Junior, além de preciosos registros de arquivo com figuras como Hugo Carvana e Antonio Pedro Borges.
Com roteiro assinado por Bento Marzo, Candida Sastre e Eduardo Ades, montagem de Rita Carvana, produção de Julio Carvana e Rita Carvana e trilha sonora original de Marcelo Callado, “Cansei de Ser Galã” expõe o homem por trás do mito e o compromisso de Claudio Marzo com a verdade do seu ofício.
EXIBIÇÕES NA 50ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO*
Distribuído pela Diamond Films, longa é estrelado por Carla Gugino e tem direção do mesmo realizador de “O Último Exorcismo”
As forças malignas de A CAIXA DO DEMÔNIO (“Lockbox”), que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (22), vão tornar este Halloween ainda mais perturbador. Com direção de Daniel Stamm, o longa conta a história de Ellen Hershbergen (Carla Gugino, “A Maldição da Residência Hill”), que passa a lidar com seres sobrenaturais depois de receber um parente misterioso em sua casa.
Assista ao trailer:
Ellen é uma pessoa solitária, que se muda para uma vila pequena e tranquila após a morte de sua mãe. Na nova casa, ela acolhe o primo Winthrop (Lou Taylor Pucci, “Você”), um veterano do Exército dos Estados Unidos com um passado conturbado. A chegada do homem, no entanto, desencadeia uma série de eventos macabros e faz com que os moradores da região passem a desconfiar dele. Ellen, portanto, se vê em uma situação muito delicada: ela deve ajudar o parente traumatizado ou será que ele está guardando mais segredos do que aparenta?
A CAIXA DO DEMÔNIO é um prato cheio para os fãs do gênero, ainda mais durante a spooky season. Com uma trama repleta de revelações surpreendentes, jumpscares de tirar o fôlego e uma atmosfera de tensão única criada pelo Daniel Stamm, o filme traz uma reflexão sobre o preço da lealdade e sobre os monstros que mantemos por perto.
“Sempre que leio um novo roteiro, me pergunto: ‘Se algum louco arrancasse todos os elementos de gênero, a história ainda continuaria interessante?’ Nenhum roteiro jamais passou nesse teste com tanto louvor quantoA CAIXA DO DEMÔNIO”, afirmou Stamm sobre o longa.
Inspirado no episódio “The Lockbox” do podcast Knifepoint Horror, criado por Soren Narnia, ainda traz no elenco Katharine Isabelle, que ficou famosa por estrelar a franquia “Possuída”, Jed Rees (“Deadpool”), Donald Sales (“Criada”) e Madeleine Kelders (“Dezesseis Facadas”). Com distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, A CAIXA DO DEMÔNIO estreia nos cinemas em 22 de outubro.
Escolhido pela França para o Oscar, Minotauro, seu filme mais recente, integra a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e estreia nos cinemas em 3 de dezembro. O cineasta também tem sua obra em destaque na Reserva Imovision: Leviatã já está disponível, enquanto O Retorno e O Desterro chegam em novembro
Desde que conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza com seu primeiro longa-metragem, O Retorno (2003), o russo Andrey Zvyagintsev construiu uma trajetória que o colocou entre os principais autores do cinema mundial. Seus filmes transformam conflitos familiares em reflexões sobre autoridade, desigualdade, religião e responsabilidade moral, aproximando a intimidade de seus personagens das estruturas de poder que determinam suas vidas. Em 2026, o diretor acrescenta a esse percurso o Grand Prix do Festival de Cannes por MINOTAURO, escolhido para representar a França na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027. O longa integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, realizada de 15 a 29 de outubro.
O novo filme estreia nos cinemas brasileiros em 3 de dezembro, com distribuição da Imovision em parceria com a MUBI. Até lá, o público pode revisitar temas centrais da obra do realizador na plataforma de streaming Reserva Imovision, onde Leviatã já está disponível. Na sequência,O Retornochega ao catálogo em 5 de novembro, seguido porO Desterro(2007), em 12 de novembro.
A força do cinema de Zvyagintsev está na maneira como articula dramas particulares e questões universais. Em suas histórias, a família pode se tornar um espaço de disputa, o afeto convive com a violência e decisões aparentemente íntimas revelam tensões sociais profundas. Sua filmografia interroga tanto a sociedade russa quanto mecanismos de opressão reconhecíveis em diferentes culturas.
MINOTAURO retoma esse encontro entre o doméstico e o político. Ambientado na Rússia em 2022, o longa acompanha Gleb, um diretor de empresa bem-sucedido que enfrenta pressões corporativas crescentes em um mundo cada vez mais instável. À medida que sua vida cuidadosamente organizada desmorona, os conflitos avançam em direção à violência. Protagonizado por Dmitriy Mazurov, Iris Lebedeva e Boris Kudrin, o filme relaciona a crise de uma família ao contexto da invasão russa da Ucrânia, dando continuidade à investigação do diretor sobre masculinidade, poder e responsabilidade individual.
Essa relação entre o indivíduo e as forças que o cercam também está no centro deLeviatã (2014), um dos títulos de maior projeção internacional de sua carreira. Na trama, um homem enfrenta um prefeito corrupto que pretende tomar sua propriedade em uma cidade do litoral russo. A disputa se transforma em uma tragédia sobre os vínculos entre poder político, Justiça e religião. O filme conquistou o prêmio de Melhor Roteiro em Cannes, concedido a Zvyagintsev e ao corroteirista Oleg Negin, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e foi indicado ao Oscar na mesma categoria.
Em O Retorno, que entra na plataforma em 5 de novembro, as questões da autoridade e da ausência aparecem na história de dois irmãos surpreendidos pelo reaparecimento do pai. Uma viagem conduzida por essa figura enigmática transforma o reencontro em uma experiência de tensão e descoberta. Vencedor do Leão de Ouro em Veneza, em 2003, o longa de estreia já apresenta elementos que se tornariam centrais na obra de Zvyagintsev: a força das paisagens, a ambiguidade dos personagens e o conflito entre a necessidade de afeto e o exercício do poder.
Já O Desterro, disponível na Reserva Imovision a partir de 12 de novembro, aprofunda sua investigação sobre a incomunicabilidade e a ruptura familiar. A mudança de uma família para o campo abre caminho para um drama em que uma revelação coloca em crise o casamento e expõe as consequências de julgamentos e decisões irreversíveis. Segundo longa do realizador, o filme integrou a competição do Festival de Cannes e rendeu a Konstantin Lavronenko o prêmio de Melhor Ator, reafirmando a projeção internacional do cineasta após sua estreia em Veneza.
O reconhecimento se estende a Elena (2011), vencedor do Prêmio Especial do Júri da seção Um Certo Olhar, em Cannes, e a Sem Amor (2017), que recebeu o Prêmio do Júri na competição principal do festival e uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Com o Grand Prix de MINOTAURO, Zvyagintsev amplia uma trajetória marcada pela presença nos principais festivais e pela criação de um cinema que encontra, nas fraturas da vida privada, uma maneira de examinar os impasses do mundo contemporâneo.
A recepção da crítica acompanha os prêmios. A revista The New Yorker define MINOTAURO como “um retrato impecavelmente frio de um mundo que não faz distinção entre crimes passionais e atos de cumplicidade com o totalitarismo”. Para a Elle, “formalmente austero e permeado por uma tensão silenciosa, o filme deixa uma sensação intensa que ecoa muito depois de seu desfecho”. Já o TheWrap classifica o longa como “um thriller político envolvente e silenciosamente contundente, disfarçado sob a aparência de um drama doméstico”
MINOTAURO tem três sessões na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A primeira exibição acontece em 21 de outubro (quarta-feira), às 18h, no Cultura Artística. Na sequência, o longa será exibido em 24 de outubro (sábado), às 21h15, no Cine Belas Artes, Sala 1 Leon Cakoff. A última sessão será em 28 de outubro (quarta-feira), às 17h30, no Reserva Cultural, Sala 1. O filme tem classificação indicativa de 16 anos.