Além de participar da Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai, promovida pelo Ministério da Cultura, os títulos também participaram de competições e outras mostras do festival
Em momento importante para o cinema brasileiro, produções nacionais marcaram presença no 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF), considerado o principal festival da Ásia. Com um total de nove títulos, a Mostra de Cinema Brasileiro, promovida pelo Ministério da Cultura, realizou dezoito exibições durante a programação oficial do SIFF este ano. Três dos filmes também foram selecionados para outras competições e mostras do evento em Xangai.
“Nossa presença com a Mostra de Cinema Brasileiro cumpre o importante papel de levar o público chinês para dentro da cultura do Brasil. Essa ação reafirma a importância do audiovisual na construção da nossa identidade e nas inúmeras maneiras pelas quais fazemos isso chegar ao mundo, além de ser uma grande oportunidade para o setor, abrindo as portas para um dos mais importantes mercados do audiovisual mundial”, afirmou o secretário-executivo adjunto da Pasta, Cassius Rosa.
Para Paulo Feitosa, idealizador da Mostra e diretor da Quitanda Soluções Criativas, “os filmes escolhidos mostraram toda a potência e a diversidade do cinema brasileiro”. A programação reuniu diversos títulos, entre eles “novas obras de ficção, animação e documentário, que estão no circuito de importantes festivais ao redor do mundo a fim de contar nossas histórias, além de A Hora da Estrela, um clássico remasterizado, que levou às telonas chinesas uma mulher que é a cara do Brasil”.
O Deserto de Luiza, filme dirigido por Alan Minas, teve sua estreia mundial no evento em Xangai ao ser selecionado para a Competição Principal do SIFF, concorrendo à maior honraria do festival, o Golden Goblet (Cálice de Ouro). Ambientada no subúrbio do Rio de Janeiro, a trama acompanha Luiza, uma garota tímida de 15 anos que sonha em ser artista e vê seu mundo desmoronar quando a mãe sofre de um episódio agudo de esquizofrenia. Propondo um comentário social sobre o Brasil de hoje, a narrativa contrasta o crescimento de Luiza, que experiencia a juventude pela primeira vez, e a deterioração da condição mental de sua mãe, uma realidade que se impõe, obrigando a garota a amadurecer. Coproduzido por Daniela Vitorino e pela Caraminhola Filmes, o longa é fruto de políticas de fomento ao audiovisual brasileiro ao ser uma colaboração internacional entre a Riofilme e a britânica Union Content.
Após passar por outros festivais importantes, Feito Pipa, de Allan Deberton, foi um dos destaques no evento chinês ao ser selecionado para a mostra “Belt and Road Film Week”, criada para fortalecer o intercâmbio cultural entre países. A produção já conquistou prêmios internacionais em sua passagem pelo Festival de Guadalajara e o Festival de Cartagena, além de ganhar destaque no Festival de Berlim (Berlinale), onde conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional. Estrelado por Lázaro Ramos e Teca Pereira, o longa traz no papel principal o ator Yuri Gomes, de apenas 11 anos, que dá vida a Gugu. Um menino sonhador e apaixonado por futebol, o protagonista vive com a avó, com quem tem uma relação tranquila, diferente da relação com o pai, marcada por ausências, expectativas e afetos não ditos. Avó e neto moram juntos próximo à barragem de Araújo Lima, no Ceará, que, após anos de seca, revela as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona questões que impactam a família.Já Amadeo e o Hipotético Mundo Novo, de Brenda Lígia e Edu Felistoque, concorreu ao Golden Goblet na Competição de Animação.
A trama acompanha Amadeo, um jovem cientista africano, ao passo que ele vivencia um amor e inventa a primeira câmera fotográfica do mundo, buscando ajudar na libertação do povo negro e no fim da escravidão. Ao misturar passado e futuro, a produção traz um novo olhar criativo para um dos períodos mais marcantes da história do Brasil.Produzido pela Felistoque Cinema, Amadeo e o Hipotético Mundo Novo conta com um elenco robusto que traz as vozes de Antônio Fagundes, Léa Garcia, Paolla Oliveira, Mateus Solano, Tiago Abravanel, Sérgio Menezes, Naruna Costa, Edmilson Filho, Adriana Lessa, Igor Cotrim e Brenda Lígia.
O filme ainda conta com a direção de arte e animação do artista pernambucano Everton Amorim, enquanto o trabalho de animação 2D é assinado pelo SAGUI Studio e Refúgio Onírico, de Caruaru, também Pernambuco. “Estivemos em Xangai com nove filmes, dois deles na competição, neste que é um dos principais festivais da Ásia. Ter nossas produções em festivais internacionais e dos países dos BRICS é uma prioridade para o Governo do Brasil, que, numa crescente, investe em produção, formação, internacionalização e intercâmbio audiovisual. Ver isso materializado durante o Ano Cultural Brasil-China demonstra o compromisso com a política pública e, também, com a consolidação das relações com um parceiro tão importante quanto a China”, finalizou Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura.