Diretor relembra das situações adversas que o fizeram olhar para a IA não só como forma de crítica, como uma ferramenta para finalizar a obra, que seria consagrada como a grande vencedora do último Festival de Brasília
FUTURO FUTURO, novo filme do cineasta gaúcho Davi Pretto (“Continente”), estreia nos cinemas brasileiros em 23 de julho pela distribuidora Cajuína Filmes. A obra se passa em um futuro próximo e apresenta um homem sem memória de 40 anos chamado K, que é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos na parte empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira. E, após usar um viciante dispositivo IA em um curso para pessoas com uma estranha síndrome neurológica, K embarca em uma jornada trágica e absurda.
Vivendo na parte empobrecida da cidade, K fica intrigado pelo intransponível lado rico da metrópole, que enxerga no horizonte – e passa a sonhar toda a noite com um casal que vive em um condomínio de luxo, regado a festas e boemia. Assim, a ideia inicial de Pretto era utilizar algumas inserções de imagens de inteligência artificial nos sonhos de K, para causar contraste diante de algo totalmente estéril e destoante da realidade do personagem, junto de imagens de bairro privado de luxo em Porto Alegre, para incorporar a crítica presente em FUTURO FUTURO. Porém tudo mudou quando uma enorme enchente afetou o estado do Rio Grande do Sul durante as filmagens, em 2024.
Mesmo com uma ideia muito clara do que queria, alternando entre imagens de prédios de luxo e de inteligência artificial, Pretto teve que recalcular rota. O diretor lembra que “isso mudou nos obstáculos políticos e climáticos que enfrentamos na filmagem. Os condomínios da cidade não deixaram que filmássemos lá e eles são, de alguma forma, inacessíveis, tal qual seu território. A solução foi recriarmos em um complexo empresarial, porém ele foi destruído durante a enchente nos últimos dias de filmagem e nunca mais pudemos voltar lá. Não era possível viajar para outra cidade, tão pouco podíamos pagar um acervo, por conta do alto preço, de imagens existentes que buscávamos mostrar”.
E, diante da catástrofe que assolou o Rio Grande do Sul em 2024, e precisando finalizar FUTURO FUTURO, que meses depois seria coroado com o Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Oficial do Festival de Brasília, Pretto precisou recorrer à inteligência artificial e que, de maneira metalinguística, relembra que “a IA me pareceu então ainda mais central na própria impossibilidade de fazer o filme, pois ao meu ver é justamente isso o que ela promete: um mundo de ilusão, fantasia e supostas infinitas possibilidades enquanto o nosso mundo acaba pouco a pouco diariamente”.
Pretto ainda reforça sua preocupação ao utilizar inteligência artificial como ferramenta para a existência de FUTURO FUTURO, ao mesmo tempo em que se atenta em não fugir da estética e do que seu filme busca criticar. “Antes, sempre me mantive longe dessas ferramentas IA pelo que elas representam politicamente e esteticamente, mas ao fazer um filme sobre a IA, me pareceu necessário investigar que imagens são essas. O risco sempre esteve presente em meu trabalho. Eu precisava me arriscar a usá-las. Diferente de cineastas que ganham rios de dinheiro de grandes plataformas IA para fazer obras encomendadas com IA para exaltar as invenções dessas empresas, eu me pus a criar imagens de maneira amadora nas plataformas mais simples disponíveis, em modo free trial sempre que possível, como uma formiga que rouba farelos do prato de um imperador. Eu queria que essas imagens IA tivessem a estética asséptica que as propagandas dos condomínios privados usam e que justamente é a estética que essas plataformas IA são treinadas originalmente para replicar. São imagens que ao mesmo tempo parecem falsamente perfeitas e estéreis, carregam algo de vazio e horrendo”.
Pretto não esconde que a literatura ciberpunk de William Gibson e Philip K. Dick e obras de pensadores políticos radicais, como Peter Lamborn Wilson, foram grandes inspirações no uso de inteligência artificial em FUTURO FUTURO. Para o cineasta, “é um gesto impuro, claro, até porque não acredito que há gestos moralmente perfeitos no mundo. Mas essa impureza me interessa. Há uma oposição evidente no filme das imagens que filmamos com as imagens IA usadas que se inserem à narrativa como um vírus. É nesse atrito que o filme convida o espectador a pensar”.
FUTURO FUTURO investiga de forma provocativa imagens geradas por IA, tema que provoca intenso debate na indústria cinematográfica e no cotidiano. A obra reflete sobre os riscos cognitivos e políticos da inteligência artificial, que transforma o trabalho, as relações sociais e a percepção do que é real. Ao mesmo tempo, aborda os desafios do cinema independente em um mundo marcado por catástrofes climáticas e por imagens artificiais que redefinem nosso olhar e imaginário. Tudo isso partiu da vontade de Pretto de expressar a ideia da crise do sujeito, ou o colapso do sujeito que habita esse mundo em constante crise. A partir disto, o cineasta lembra que “me pareceu que seria um filme sobre esse acúmulo de crises que vivemos, ambiental, tecnológica, urbana, política, do trabalho, de saúde mental, de identidade… e claro, crise das imagens”.
Produzido pela Vulcana Cinema e rodado em Porto Alegre, o filme é o quarto longa de Davi Pretto que, depois de “Castanha” (2014), “Rifle” (2016) e de “Continente” (2024), transformou sua cidade natal em uma metrópole futurista nesta ficção-científica de baixo orçamento. Para interpretar K, personagem protagonista, o diretor escalou o potiguar Zé Maria, ator conhecido por seus trabalhos em filmes como “O Clube dos Canibais” (2018) e “Paloma” (2022), além da série “Maria e o Cangaço” (2025).
Zé Maria contracena com João Carlos Castanha, que batiza e protagoniza o primeiro filme do cineasta, além de Carlota Joaquina (“Seus Ossos e Seus Olhos”), Clara Choveaux (“Luz nos Trópicos”) e Higor Campagnaro (“O Animal Amarelo”). Olivia Torres, atriz de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Filme Internacional, e protagonista de “Continente”, também empresta sua voz para o novo trabalho de Pretto.
FUTURO FUTURO, além de ter conquistado no último Festival de Cinema de Brasília o Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Oficial, também foi premiado por Melhor Roteiro, Montagem e Menção Honrosa para o ator Zé Maria Pescador. O filme estreou mundialmente na competição do importante Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, um dos mais antigos da Europa.
FUTURO FUTURO tem distribuição da Atelier W e Cajuína Filmes e estreia nos cinemas em 23 de julho. A distribuição do filme é patrocinada pelo BNDES através do Patrocínio Cultural No 01/2025 – BNDES – Projetos Audiovisuais de Longa-Metragem.
Protagonizado por Ana Carbatti, o longa concorre ao principal prêmio do festival e também terá sessões em 3 e 4 de outubro
Oceânico, dirigido por Guilherme Coelho (“Órfãos do Eldorado”) e protagonizado por Ana Carbatti (“A Herança”), fará sua estreia mundial nesta sexta (2) na 28ª edição do Festival do Rio. Selecionado para a Competição de Longas-metragens de Ficção da Première Brasil, o filme será exibido ao público pela primeira vez no Estação Claro Gávea, às 21h45, e ainda contará com uma sessão-debate e uma sessão reprise em 3 e 4 de outubro, respectivamente.
Uma mescla de drama familiar com thriller político, Oceânico acompanha os dilemas da neurocientista Adyr (Carbatti). Referência por seu trabalho de pesquisa em uma universidade pública, ela descobre na medicina psicodélica a chave para um tratamento promissor para a doença. Porém, diante do potencial de ganhos financeiros, Adyr se torna alvo de um grupo interessado em se apropriar de seu trabalho. Sem saber em quem confiar, a protagonista precisará lutar para proteger sua pesquisa, sua vida e a de seu filho.
Idealizado inicialmente por Guilherme Coelho em conjunto com o escritor Michel Laub, o roteiro é assinado por ambos, ao lado de Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Vinícius Spanghero e Josefina Trotta. O longa é um projeto da Matizar Filmes (Mariana Ferraz e Guilherme Coelho), em coprodução com a Bubbles Project (Tatiana Leite) e a Cinema Inflamável (Karim Aïnouz) e produção associada da Tigresa e da Manny Films (França).
Oceânico tem distribuição garantida nos cinemas brasileiros pela Filmes da Estação.
Atriz vive jovem nadadora no novo longa de Ana Luiza Azevedo, adaptação de um livro da escritora Keka Reis, que também assina o roteiro
O universo da adolescência volta a cruzar o caminho de Ana Luiza Azevedo em Medley, novo filme da cineasta, que estreia em 29 de outubro nos cinemas brasileiros pela Sessão Vitrine Petrobras, distribuído com a parceria da Riofilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio”. O reencontro da diretora gaúcha com o tema acontece mais de 15 anos depois de Antes que o Mundo Acabe, seu primeiro e premiado longa-metragem. Desta vez, ela traz Mel Maia no papel de Lola, uma jovem e talentosa nadadora que vive em conflito com a mãe e precisa mergulhar no próprio passado para lidar com um trauma familiar. O projeto é uma produção de Mara Lobão e Rodrigo Montenegro pela Panorâmica, produtora especializada em conteúdos para o público infanto-juvenil.
Um coming of age sobre superação e auto descoberta, a história de Medley se passa no interior do estado do Rio de Janeiro, nos anos 90. Na trama, é ali que os pais da protagonista se conheceram e onde estão algumas das pistas que ajudam a explicar segredos do passado da família. O filme é uma adaptação do livro Medley ou Os Dias em Que Aprendi a Voar, da escritora Keka Reis, nome de destaque da literatura infantojuvenil brasileira. A própria autora assina o roteiro, com consultoria de Carolina Kotscho. Inspirada na história pessoal de sua vida, Keka teve a ideia de escrever o livro depois que o projeto do filme avançou e entrou em desenvolvimento.
O filme foi selecionado para o LA FEMME International Film Festival 2026, um dos mais tradicionais festivais de cinema feminino do mundo, que acontecerá no mês de outubro em Los Angeles
Como a personagem que interpreta, Mel também começou a carreira bem cedo. “Mel atua desde criança e tem uma sensibilidade incrível. É um talento que fala pelo olhar”, afirma a diretora. A atriz cresceu diante das câmeras e viveu papéis de destaque desde os primeiros trabalhos, como Rita, de Avenida Brasil. Sobre a experiência de viver Lola, Mel destaca o que aprendeu com a personagem: “A Lola me ensinou muita coisa. Me ensinou a ter mais dedicação, a encarar os medos e principalmente a lidar com os sentimentos mais difíceis”, conta.
O filme ainda traz no elenco Mariana Lima, André Ramiro e Leona Cavalli, além de Guthierry Sotero e Alana Cabral.
Antes da estreia comercial, o filme participa da Mostra Geração do Festival do Rio, com sessões nos dias 8 de outubro às 21h no Centro Cultural FGV, neste dia a sessão será apresentada pela diretora e equipe do filme. Também no dia 09 de outubro às 14h, com sessões abertas ao público nos cinemas Estação Claro Rio 5 e no Reserva Cultural Niterói 1. Os ingressos podem ser adquiridos na plataforma da Ingresso.com com previsão de início das vendas no dia 30 de setembro.
Longa oferece ao público o olhar sobre a história pessoal de uma das bandas mais influentes da música contemporânea enquanto seus integrantes embarcam, juntos, em um novo capítulo de sua trajetória
LINKIN PARK: UNSHATTER, o novo documentário intimista dirigido pelo membro da banda Joe Hahn, chega aos cinemas de todo o mundo a partir desta quarta-feira, 30 de setembro. O longa oferece ao público o olhar sobre a história pessoal de uma das bandas mais influentes da música contemporânea enquanto seus integrantes embarcam, juntos, em um novo capítulo de sua trajetória.
Após o triunfante retorno da banda aos palcos globalmente, a obra acompanha a trajetória do Linkin Park ao longo da perda, da superação e da reinvenção criativa, culminando na explosiva era de From Zero e em apresentações ao vivo inesquecíveis realizadas em São Paulo.
Mesclando imagens raras de arquivo, momentos espontâneos dos bastidores, sessões intimistas em estúdio e performances eletrizantes ao vivo, UNSHATTER acompanha Linkin Park desde as primeiras sessões de gravação, em 2022, até a criação de From Zero e seu retorno aos palcos ao redor do mundo.
Dirigido por Joe Hahn, o filme oferece uma visão sem precedentes do processo criativo da banda e os laços de amizade que a mantiveram unida ao longo dos anos, enquanto apresenta o próximo capítulo da história do Linkin Park, com as presenças marcantes de Emily Armstrong e Colin Brittain.
“UNSHATTER retrata um momento muito específico na história do Linkin Park e documenta uma trajetória marcada por perda, incerteza, amizade e reinvenção“, afirma Joe Hahn. “Espero que os fãs de longa data descubram aspectos da nossa jornada que nunca viram antes, e que aqueles que estão conhecendo nossa música agora possam compreender melhor como chegamos até aqui. Mas, para além do Linkin Park, espero que as pessoas se conectem com esta história como um relato sobre relacionamentos, resiliência e o que realmente é necessário para seguir em frente quando você não tem todas as respostas“.
Em sintonia com a estreia do filme nos cinemas, a trilha sonora oficial UNSHATTER (Live in São Paulo)foi lançada em 25 de setembro, reunindo performances marcantes de músicas que abrangem toda a trajetória da banda, incluindo gravações exclusivas que não aparecem no documentário. O álbum já está disponível aqui.